Zelaya em Honduras: qual o papel da imprensa?
O retorno de Zelaya a Honduras despertou opiniões muito diversas, especialmente em relação ao modo como se deu sua entrada no país e sua permanência na embaixada brasileira em Tegucigalpa.
Nas horas que se sucederam ao retorno de Zelaya, o governo interino do presidente Micheletti cortou o fornecimento de água, eletricidade e telefonia da embaixada brasileira e, também, o fornecimento de energia elétrica do Canal 36, rede de TV pró-Zelaya. Duas outras emissoras de rádio também se disseram ameaçadas.
Mas o ponto que queremos discutir aqui no Pitaco não é se Zelaya está certo ou não. Se o discurso de Lula na Onu é adequado ou não. O momento vale para discutirmos justamente o papel das comunicações no exercício da democracia. E porque, numa situação como esta, a mídia, que deveria ter papel crucial, acaba sendo cerceada. Aguardamos seus pitacos.






Sou a favor do asilo político concedido a Zelaya. O Brasil tem que cada vez mais ocupar este espaço de líder na América Latina.
Nós não podemos interferir diretamente no processo político de Honduras mais devemos sim apoiar a democracia que foi duramente violada nesse golpe de estado.
Em relação ao papel da mídia, que com certeza esta sendo censurada em Honduras, deve procurar mídias alternativas como a internet para divulgar o que está acontecendo.
Para um país que se pretende integrar o Conselho de Segurança da ONU, a ação em Honduras se mostra um desastre que ameaça seriamente as intenções do Brasil, pela falta de isenção. Ponto negativo para o Itamaraty.
Wagner Faneco, em política externa não existe isenção.
Mais… o Brasil como desde o início se colocou contra os golpistas, jamais poderia lidar de forma isenta nesse caso. Mesmo se assim, o quisesse.
quem lida de forma isenta, é sempre aquele q busca a neutralidade, ou seja fica em cima do muro, não toma decisões. Esse não está sendo o caso do Brasil, ainda bem.
Caro Leandro Felipe,
Concordo contigo sobre a ausência de isenção. É tão certo quanto a verdade absoluta, que não existe. Mas a aspiração brasileira, desde os tempos de FHC, de integrar o Conselho de Segurança da ONU, fica ameaçada depois que abriu a embaixada de Honduras para Zelaya. Ele estava fora do país. Desaprovar o golpe, não reconhecer o governo e oferecer-se como interlocutor na crise seriam iniciativas mais adequadas para quem aspira integrar o Conselho da ONU.
Seria muito diferente se o líder deposto corresse risco de vida e pedisse asilo ao Brasil. Nos anos 70, a Chancelaria brasileira concedeu asilo ao Stroessner, que morreu em Brasília anos depois. Talvez você não se lembre, mas é fato.
O Brasil não reconhece o governo golpista de Honduras. E agora? o Itamaraty vai fechar a embaixada? E o que fazer com os funcionários e o “asilado”? Entregá-lo? Estabelecer um “corredor diplomático” e repetir o que os EUA fizeram no Vietnã?
A meu ver, a política externa brasileira está em meio a uma enrascada. Até porque a OEA foi impedida de desembarcar em Tegucigalpa. Seria o caso de uma guerra? Impensável. E o foro certo para resolver a questão é o Tribunal Internacional de Haya, na Holanda. Mas até que saia a decisão, como viverão aquelas pessoas abrigadas na embaixada?
Wagner Faneco,
Não digo que a situação em Honduras não é complicada. É, e bastante. Porém, não acho de maneira alguma, que o Brasil tenha agido mal ao abrigar Zelaya em sua embaixada.
Ao meu ver, ruim seria se tivesse negado o asilo. Se fosse essa a decisão, não seria nem coerente com a posição do governo brasileiro. É porém, uma questão bem delicada e tensa. Mas se o Brasil pretende tomar às rédeas das decisões políticas de maior vulto em nosso continente, tomando posições independentes… é esse o caminho. O posicionamento em relação a questões delicadas, e fundamentalmente, o protagonismo, se faz necessário a um país q pretende uma vaga tão importante como é a que o Brasil pleiteia junto ao conselho de segurança da ONU.
O Brasil pode fazer isso, sem ter q abandonar sua tradição diplomatica pacifista. Agora, impasses, situações delicadas e tensão… são uma constante a países q não são meros espectadores e sim protagonistas.
Um grande abraço,
Leandro.
Caro Leandro,
Acho que poucos regimes se recusariam a abrir as portas de sua embaixada, mas a questão é que Zelaya não pode ser tratado com asilado nem como exilado em seu território. Mas o impasse está criado e faltou na minha opinião uma ação mais estrategista do Itamaraty, do ministro das Relações Exteriores e do próprio governo brasileiro de tratar a questão de forma mais inteligente. Agora, o jeito é aguardar quais sugestões serão adotadas. Pelo que li, não há precedente no Direito Intenracional.
forte abraço,
Wagner