Pitaco na CBN #23: a saga Uniban continua

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O Pitaco na CBN de hoje, como não poderia deixar de ser, fala do caso Uniban.  Mas ele nem foi ao ar e já é notícia velha.

 
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Quando este programa gravado ontem, segunda-feira, for ao ar às 9h50 de hoje, todos os ouvintes já estarão sabendo a respeito da volta atrás da universidade, que reintegrou Geysa Arruda a seu corpo discente.

A seguir, a nota do reitor da Uniban com a decisão:

“O Reitor da Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL, de acordo com o artigo 17, incisos IX e XI, de seu Regimento Interno, revoga a decisão do Conselho Universitário (CONSU) proferida no último dia 6 sobre o episódio do dia 22 de outubro, em seu campus em São Bernardo do Campo. Com isso, o reitor dará melhor encaminhamento à decisão”.

Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL

Do ponto de vista de comunicação, representa o reconhecimento de que a ação precipitada da universidade, de expulsar a aluna, foi totalmente equivocada e deve diminuir bastante a tensão e a repercussão desta história, que já gerou danos irreversíveis à marca.

Agora, o preço que a Uniban pagará por esta decisão, também muito precipitada, é extremamente alta, só que agora do ponto de vista acadêmico.

Com esta decisão, o reitor, unilateralmente, revoga uma decisão do CONSU – Conselho Universitário, que deveria ser o órgão representativo máximo de uma instituição universitária.

Fica, neste novo capítulo do caso Uniban, a marca que caracteriza todos os seus episódios: o autoritarismo.

Uma pena, porque quem perde com isso não é apenas a Uniban, mas todo o sistema de ensino universitário, cujo espírito vem se perdendo, ano a ano, com a entrada no mercado de instituições que apenas ostentam, em seus nomes, o título de Universidade, mas não cultivam dentro de si os princípios que este título representa.

Comunicação 2.0: como não fazer

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São exatamente 22:25 e acabei de fazer uma busca por Uniban no Twitter.  Há aproximadamente uns 30 minutos acabou a reportagem, no Fantástico, sobre a expulsão da aluna de Turismo da Uniban, que protagonizou o episódio de violência coletiva na universidade no último dia 22 de outubro.

O fato das imagens caírem na rede e ganharem repercussão, assim como a irracionalidade inexplicável dos alunos que tentaram agredir a garota, não está sob o controle da instituição de ensino.  A possibilidade de uma pessoa gerar qualquer tipo de conteúdo e publicá-lo, catalisa o poder que todos nós temos de afetar a reputação de uma empresa ou produto, mesmo que não queiramos isso.  Tenho certeza que não passou pela cabeça da maioria das pessoas que postaram estes vídeos que suas atitudes estariam, de alguma forma, prejudicando a imagem da Uniban.

Mas quanto a isso, nada se pode fazer e, na minha opinião, este é o menor dos problemas.  O grande problema – e este sim, está sob o controle das empresas – é a repercussão daquilo que elas, como instituições, fazem.  A repercussão de suas ações e decisões.

E, neste caso, a Uniban dá uma aula categórica e bastante didática de como não agir.  Além da arbitrariedade e da inversão de valores na aplicação da pena de expulsão para a aluna e de suspensão para os agressores, a direção da universidade mostrou que realmente não entende o fenômeno do qual foi, de algum modo, vítima.

Não se pode mais pensar como há 20 anos, onde um fato acontecia, era noticiado pontualmente e dois ou três dias depois era totalmente esquecido.  Hoje, as notícias reverberam e, principalmente, as pessoas dão sua opinião, o que gera mais repercussão. Um juízo de valor coletivo é construído a revelia da marca tendo como base, fundamentalmente,  suas atitudes.

Só para se ter uma idéia do que estou falando, agora são 22h45. Passados 20 minutos do search, foram postados 972 tuites sobre o tema, a maioria esmagadora deles depreciativos ou com severas críticas à instituição.

Search por Uniban no Twitter

No Google, ao fazer uma busca por Uniban, a matéria sobre a expulsão da aluna já é o terceiro link.  O que isso quer dizer?  Que todo mundo que quiser saber algo a respeito da universidade – um potencial aluno, por exemplo – vai ficar sabendo desta expulsão.

Resultado da busca por Uniban

Sem falar nas reações mais contundentes como a alteração do verbete Uniban, no Wikipedia.

Verbete alterado na Wikipedia

e as sátiras, já publicadas em alguns sites, que fazem críticas contumazes à expusão da aluna:

Infelizmente para a Uniban, não consegui encontrar nenhuma referência que faça uma análise ou comentário positivo sobre a atitude da universidade.

Este episódio é uma prova cabal da necessidade urgente de uma mudança de postura da maiorida das empresas: ao tomar qualquer tipo de decisão é fundamental que se leve em conta o seu impacto a opinião das pessoas.  Nesta teia de comunicação coletiva em que vivemos, as opiniões são armas poderosas e as empresas devem tomar muito cuidado para que estas armas não sejam apontados contra elas.